Por José Loial

Prenderam parte de políticos envolvidos com mensalão. Quantos mais serão condenados e presos? O histórico no Brasil sobre esse tema é extenso, quiçá, nunca se saberá o tamanho desse rombo que se causa no Brasil por conta da corrupção e nem quantas pessoas efetivamente estão envolvidas nesse processo. Alguns acham que a corrupção é algo em torno de 25% do PIB, o que, em tese, ultrapassa a casa dos R$ 300 bilhões de reias por ano. Somando-se aos desperdícios, face incompetência de gestores públicos mal treinados e sem compromisso com a máquina pública esse montante pode chegar à casa dos R$ 500 bilhões de reias, ou seja, quase 40% do Produto Interno Bruto Brasileiro.

Mas quem ou quais são os culpados disso?

Numa primeira analise tem-se os financiadores de campanha como os vilões desse processo, mas por quê?

- Porque alguém gasta milhões de reais em uma campanha de políticos?

- Porque um empresário, em tese bem sucedido, abandona suas empresas para ser um agente público: Presidente, Ministro, Governador, Senador, Deputado, Prefeito, Secretário, Diretor de Empresas Públicas se os salários do pode público não representam nem 10% dos seus pró-labores?

- Porque os políticos gastam milhões de reais em marketing em suas campanhas política?

- Porque alguém gasta milhões de reais para se eleger a cargo legislativo ou executivo, se ao final do seu mandato a soma dos salários recebidos se quer chega a 20% do dinheiro gasto em campanha?

Racionalmente nada justifica alguém, teoricamente, perder dinheiro somente, sob o argumento pífio de dizer que: “Faço isso para dar a minha parcela de contribuição ao povo e ao Estado.”.

Esse ou qualquer outro argumento não prospera vez que para que se dê a parcela de contribuição para a nossa sociedade não precisamos ser um agente político para o Estado. Há milhares de entidades filantrópicas que prestam excelentes serviços sociais, portanto, baste que sejamos um aliado desses grupos, ora prestando serviços voluntários ou com ajudas financeiras.

Na verdade o governo, para esses financiadores de campanha, não passa de uma empresa de capital aberto S/A: As pessoas investem em um determinado político ou partido, – normalmente aquele que ofereça maior confiança para o grupo de investidores – em forma de ações, se os financiados elegerem-se, suas ações vão lhes render milhões de dividendos, o contrário, se perderem é como se a empresa investida entrasse em falência, ou seja, suas ações (dinheiro) não valerão mais nada.

A lógica é simples: quem financia um político quer o seu dinheiro de volta com estrondosos lucros, isto é: seja na forma de cargo público sem concurso, seja na forma de contrato com o governo, de uma forma ou de outra o investidor quer o seu o retorno do seu capital investido e com acréscimo, pois não é normal alguém que goze de suas sanidades mentais jogarem dinheiro fora, ou seja, financiamento de campanha é investimento, se eleito o político agraciado, o retorno, em tese, estará garantido em médio prazo. (o percentual não é de 100%, mas estão muito próximo disso).

Os próprios dados do Estado (TSE e portal de transparência) são detectáveis essas anomalias. Um simples cruzamentos dos dados do TSE: financiadores de campanha com quem tem algum tipo de contrato com o Governo é possível identificar esses casos. Mesmo sem as ferramentas e disponibilidades que os especialistas do judiciário possuem, identificamos alguns casos, que, no mínimo é muito suspeito. (Uma determinada empresa: financiou a campanha política de alguns políticos, mesmo com o nome negativado – divida ativa do Governo Federal e Governo Federal – seis meses depois da posse dos seus investidos conseguiu um empréstimo em um banco público no valor de R$ 10.000.000,00.).

Outro caso instigante são os Bancos: financiaram a campanha de alguns políticos e agora vão administrar parte da aposentadoria (a parte privatizada) dos servidores público Federal, chamado de Fundo de Previdências dos Servidores Públicos Federal:

Também nessa mesma linha estão as Empreiteiras: Financia políticos meses depois tem contratos milionários com o governo.

Não menos importantes estão as empresas publicitárias: Faz a campanha publicitária do político, meses depois tem contrato de publicidade com o governo. Assim como alguns blogs e meios de comunicação. http://www.transparencia.df.gov.br/Prestando%20Contas%20%20Programas%20do%20Governo/1_trimestre_2013.pdf

Esse é o paradoxo existente entre financiador de campanha e os interesses desses grupos. Que transformam, em tese, homens honestos em bandidos, como é o caso agora dos mensaleiros presos.

Para os políticos o que justifica essa relação no mínimo duvidosa? Em tese, para bancar suas campanhas sem dilapidar seus patrimônios, para os financiadores de campanha para proteger seus interesses empresários, ou pessoais, ou corporativos.

Na outra vertente, estão os eleitores, que não estão isentos nesse processo, ou seja: é o eleitor que exige uma campanha cara. É ele que vota em quem promete mais, é ele que vota em quem tem mais vitrine, é ele que vota em quem gasta mais, é ele que vota em quem promete empreguismo ou benefícios financeiros pessoais. Ou seja, já na campanha o eleitor exige um candidato que se utilizam dos artifícios impróprios para que se obtenham os votos necessários para sua eleição.

Mas porque o eleitor age assim? Porque é mal informado, não é educado para entender que seu voto é sua a esperança, é a educação, é a saúde, é a segurança, ele é educado para votar em “A” porque ele vai lhe dar algo naquele momento.

Esse é um ciclo vicioso que só vai acabar quando houver uma reforma política que reveja o financiamento de campanha; uma reforma tributária que tribute com mais fervor o patrimônio e o lucro e não a produção; uma reforma previdenciária que separe o grupo de quem contribui para o sistema daqueles que não contribuem; uma reforma no sistema federativo que se possa rever a responsabilidade de cada entre da Federação (Estado, Município e União), ou seja: distribuir melhor as receitas e responsabilidade, principalmente no que se refere à saúde, educação e trafego de drogas.

Sem essas reforma de base, o caixa dois, o mensalão, vão continuar a existir: seja na forma de cargo comissionado ou terceirizado; seja na forma de contrato com o governo; e com eles muitos ainda vão passar pelo crivo do judiciário e vão cair em desgraça. http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/os-lideres-partidarios-sob-investigacao-no-senado/

Mas então porque que os políticos, mesmo sabendo que, agora, estão vulneráveis, não fazem nada para mudar esse cenário caótico? Avalio que, é a crença na impunidade e por saber que o percentual de pessoas identificada com essa roubalheira é muito pequeno em relação ao montante dos gatunos para que se possa correr o risco de promover uma reforma que mude essa pornografia e ficarem de fora do sistema, ou seja, é o famoso dito popular: “o crime compensa”. Será?